Vai
ver é assim, a gente escolhe um caminho e paga o preço por ele. A vida no seu
universo de possibilidades propõe tanto que às vezes enxergo a minha tolice em
viver de sonhos, sendo a realidade tão ou mais bela que qualquer devaneio. Contudo
ela há de ser dura também, nos sonhos não sofremos e as dificuldades são
inexistentes. Dói, a vida dói. O preço que se paga por determinadas decisões
pode ser muito caro, mas não há como fugir dele, fugir é apenas uma forma de
tentar esquecer a dor, sem sucesso. Ainda bem que essa é só uma pequena parte
do universo de possibilidades, há a beleza do novo, do inesperado e até dos
erros e infortúnios tiramos boas lições, a experiência, uma valiosa
companheira. Hoje é um desses dias em que as amarras do comodismo e do medo se
soltam e eu consigo enxergar ao menos um palmo à minha frente, que da vida não
se sabe nada a não ser que o nosso livre arbítrio ainda é um meio de direcionar
as nossas forças e que também faz parte do processo de nos tornarmos no futuro
aquilo que queremos ser. Nesses dias, eu crio forças para lutar e observo que
as vitórias estão intimamente ligadas ao trabalho e ao empenho. É hora de fazer
escolhas e de arcar com as consequências, tem que ter coragem, muitas vezes
sair do ponto onde se está confortável não é fácil, mas se eu vislumbro minha
felicidade no fim do túnel, então tomo fôlego e é por esse caminho que vou.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Tragando seus dias
À caminho de
casa ele joga o resto de cigarro fora. Prepara-se para acender outro. Não é o
bastante. São tantos problemas, a vida é tão complicada. Enche os pulmões da
fumaça nociva, a mente cheia de preocupações, prazos a cumprir, contas a pagar.
Uma nova tragada, os problemas não desapareceram, mas já não aperta mais
ansioso a direção como antes. O vidro está baixo, joga a fumaça fora, expele um
pouco de seus dias, a custo da tentativa de calar seus dilemas. Não é o
suficiente, nunca é o bastante. É o fim do primeiro maço, só a metade do dia.
Ainda tem que chegar em casa, ver a esposa, os filhos, às vezes queria não
tê-los, mas sabe que são a única coisa de valor que tem realmente. O estoque
acabou, deve comprar mais, depois do almoço? Não, agora. Vai tomar o cafezinho e
voltar ao trabalho já com um novo cigarro na mão. Esvair sua existência em
fumaça. A esposa reclama do cheiro, ele tosse. Almoça, o tempo é contado e os
cigarros aceleram o relógio da vida. Beija a esposa, dá adeus aos filhos. Pega
o maço, pega carteira. Volta, se esqueceu das chaves do carro. Acende mais um,
dessa vez esse não consome os dias comuns, esse maço de agora consome o dia em
que conheceria seus netos, os de antes já não o deixarão vê-los crescer.
Alimenta o monstro. O vício acalma os pensamentos e atiça o seu algoz antes silencioso
e que agora se comunica através de tosses e pigarros.
O
tempo passa. Mais um cigarro, menos alguns dias na conta da sua vida. Pensa em
parar, em tomar só o café, mas não é o
suficiente, nunca é o bastante. Acaba o
dia, traga as expectativas de um futuro já com idade avançada, descansando em
casa. Traga o beijo da esposa e a formatura dos filhos. Pensa em parar, hoje
não. Tosse. Já é noite, joga o resto de cigarro fora, abre o maço, acabou.
Compra outro, deve estar abastecido, vai fumar assim que acordar, para começar
o novo dia, para perder tantos outros.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Enfim o Casamento
Haveria de ser assim
Os olhos verdes dela nos olhos
puxados dele
Os olhos negros dele nos olhos
amorosos dela.
Ainda bem que foi assim
Há vezes em que o amor vence e pronto.
Como quase tudo na vida, não foi
fácil.
Os olhos verdes e os negros
derramaram lágrimas
As bocas disseram adeus, mas foi
mesmo um até logo.
Até que fosse felicidade, companheirismo
e cumplicidade de novo.
As saudades se transformaram em votos
E hoje nos mostram o que há um muito
já eram
Um ser único, simbiótico.
Que bom que foi assim
Nesses momentos acreditamos em finais
felizes
Ou melhor, em começos e em uma vida
feliz.
Olhos verdes e negros com um só
sobrenome
Quem sabe daqui a pouco
Olhos verdes puxados ou olhos negros
amorosos.
Que assim seja, tudo de maravilhoso.
Tudo que a vida pode dar. Tudo amor.
Raissa
Campos.
sábado, 8 de setembro de 2012
A saga da impressora
Nesse
mundo moderno em que vivemos temos que nos adaptar ao novo e nem sempre isso é
fácil. São muitas tecnologias, a rapidez da informação e com melhorias que fazem
a nossa vida mais eficiente, mas também que podem custar alguns fios de cabelo
no processo de aceitação.
Esse é um
desabafo sobre a minha impressora. Poucos aparelhos eletrônicos já me deram
tanta dor de cabeça quanto as minhas impressoras. É sério, parecem saber, sentem
a energia de quando mais precisamos delas. É justamente nesse momento que aprontam.
Para elas serve aquele ditado de que você só conhecerá mesmo uma pessoa quando
der poder a ela. Dona do poder da impressão de documentos importantes,
trabalhos, artigos e etc, elas fazem verdadeiras peripécias! Uma engolida de
página, uma puxadinha básica de duas páginas que faz a impressão do final da
folha vir na seguinte, pane no drive do computador, desalinhamento, acaba a
tinta (se bem que ela avisava faz tempo), enfim, tortura. As impressoras são
muito temperamentais mesmo. Hoje eu tive que reinstalar a minha, daí eu me
pergunto, por que o número de série não pode estar ao lado do número do modelo?
Por que a pessoa tem que ficar virando a impressora, abrindo compartimentos
numa verdadeira caça aos números? É, eu perdi mesmo a paciência. Mas ela,
depois de muito se divertir comigo, agora já está funcionando, como se nada
tivesse acontecido, rindo da minha ignorância. A mim só me resta subjugar-me ao
seu poder e engolir as palavras de baixo calão que tenho vontade de proferir,
afinal, eu só quero mesmo é a paz de uma boa impressão.
domingo, 26 de agosto de 2012
Distâncias
E quando for embora, vai com aquele olhar...
Aquele de vontade combatida
Desejo reprimido
Imã forçosamente separado da matriz
As pernas teimando em prosseguir e todo o resto querendo ficar
E quando for embora, fico eu com meu olhar...
Perdido, ainda olhando, agora, para estranhos.
Ansiando por uma volta
Desejando buscá-lo ou ir-se contigo
Imã forçosamente separado da matriz
As pernas teimando em não obedecer à decisão de dar as costas
E quando voltas
Os olhares se procuram como imãs
E as pernas querem apressar obedecendo à vontade
Então é reencontro, é sede começando a ser saciada.
É desejo e são sorrisos
Quem sabe até algumas lágrimas
Já bate o medo da partida, logo ali na chegada.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Almir
Existem pessoas que não passam
invisíveis pela vida. Elas marcam a vida de todos a sua volta, até daqueles que
não esperavam que ela estivesse tão enraizada em seus pensamentos. São pessoas
diferentes, um conselho aqui, uma conversa ali, muitas risadas e cá nos deixa
com essa saudade. Esse tipo de pessoa surge em nossas vidas e passa a ser um
querer estar perto, tem uma mania feia de ir embora assim de repente, muitas
vezes sem nem dar adeus, fica a lembrança do último sorriso. Ah, as lembranças...ficam as memórias gostosas, aquele dia em que ele fez isso, aquela piada que
todo mundo ri fácil até hoje. Engraçado, até hoje nos gera risadas, elas vem
acompanhadas que um suspiro intrometido, mas não deixam de ser risadas. Que
saudade. Há de confortar, aos que acreditam, que está num lugar melhor. Acho
mesmo que está aqui, não sei como, talvez naquilo que chamamos de coincidências
da vida, acaso. Fica a saudade do sorriso bonachão, da pessoa inteligente e amiga.
Muitos amigos, não por coleção, mas por conquista. Apesar da partida, já surgem
os novos, carregando o seu nome, quem sabe um pouco dele. Fica a vontade, vão-se
as lágrimas, nasce um sentimento de compreensão, haveria de ser assim. Há de ser então alegria, por todos os
momentos que podemos compartilhar de sua companhia e por sabermos que nunca o
esqueceremos, ele ainda está em nós. Feliz aniversário.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Às avós
Eis que nada se fez mais presente
em meus pensamentos hoje do que a tentativa de lembranças das minhas avós. Haja
vista o falecimento da avó de uns amigos, foram as mortes das minhas entes
queridas que não me deixaram em paz. Há sim em mim essa carência daquele amor
de avó, aquele que é pura admiração, bondoso e incondicional. Eu, órfã de avós,
tenho um sentimento especial pelas avós dos outros, não é por acaso que cativo
um sentimento vivo até por aquelas que há muito não vejo. Acho até que as avós
dos outros, no alto de sua sabedoria, sentem em mim essa ausência, e
aparentemente me dão uma atenção especial. Talvez eu queira ser especial para
elas, a netinha que vem passar as férias, com quem almoçam no domingo, com quem
relembram os tempos de outrora. Lembro-me
saudosa das lágrimas que a minha avó paterna sempre derramava quando íamos
embora, do abraço feliz de quando ainda criança me jogava nos braços frágeis de
avó materna. Quão sortudos são os que
têm as suas avós...as minhas são só lembrança, aquele cheiro de roupa passada,
cheiro bom que me dá um paz interior. Finalizo um pouco mais aliviada, nada
como uma dose terapêutica de exposição.
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